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No dia a dia,Expressões do português de origem racista

No dia a dia, é possível que você esteja utilizando, sem saber, palavras que se originaram da discriminação a negros e pardos. Para gerar conscientização, a Defensoria Pública da Bahia publicou um dicionário 'de expressões racistas'.

O histórico de escravidão e discriminação a negros no Brasil deixou marcas que se estendem para a linguagem que utilizamos no dia a dia.

Em muitos casos, a associação da cor preta a algo negativo fica evidente em frases como: você está na minha “lista negra”, ela comprou o computador no “mercado negro” ou sou a “ovelha negra” da família. Mas certas expressões de origem racista são muito menos óbvias.

Para gerar conscientização e sugerir que sejam abolidas do cotidiano, a Defensoria Pública da Bahia lançou para o Dia da Consciência Negra uma espécie de dicionário de expressões racistas.

“Nosso idioma foi construído sob forte influência do período de escravização e muitas destas expressões seguem sendo usadas até hoje, ainda que de forma inconsciente ou não intencional. Precisamos repensar o uso de palavras e expressões que são frutos de uma construção racista”, diz o texto de introdução da cartilha, chamada “Expressões Racistas do Cotidiano”.

A cartilha da Defensoria Pública da Bahia explica que a expressão “da cor do pecado”, muitas vezes usada como “elogio” por pessoas brancas, carrega a cultura racista de “hipersexualização dos corpos negros, estigmatizados no período colonial, quando os ‘senhores’ violentavam sexualmente mulheres negras e encaravam isso como um momento de diversão”.

Outras expressões citadas na cartilha também remetem a essa sexualização das pessoas negras, principalmente das mulheres. A publicação destaca que essa objetificação abre caminho para violência sexual e discriminações.

“A expressão ‘mulata tipo exportação’, por exemplo, muitas vezes dita como forma de elogio, reforça o estereótipo hipersexualizado que recai sobre mulheres negras, que vem desde a época em que as escravas eram objetificadas e erotificadas, e são vistas até hoje como mulheres que supostamente não servem para casar”, diz o documento.

A expressão “nas coxas” costuma ser usada para se referir a algo mal feito. Mas, segundo a cartilha da Defensoria Pública da Bahia, ela tem origem na “época da escravidão brasileira, quando as telhas eram feitas de argila, moldadas nas coxas de pessoas escravizadas. Como tamanho e formato variavam, a expressão remete a algo mal feito”.

Essa palavra, usada para dizer que alguém está “manchando” a imagem ou reputação de alguém, vem do latim denigrāre, que significa “enegrecer”.

“Possui na raiz o significado de ‘tornar negro’. Utilizado como sinônimo de difamar ou caluniar, reforça, mais uma vez, ser negro como negativo, ofensivo”, diz o “dicionário” da Defensoria Pública da Bahia.

 

 

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