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Em Corumbá medo de assaltos ronda cotidiano dos moto entregadores

Eles relatam preocupação com assaltos, principalmente no período noturno

“Saímos de casa sem saber se vamos voltar”. Este é o sentimento de Breno Valvino Gomes Monteiro Cupertino, que trabalha como moto entregador há 10 anos. O campo de trabalho na área de entregas em casa cresceu nos últimos meses devido à pandemia da covid-19. Com isso, os profissionais também ficaram mais vulneráveis e expostos à criminalidade.

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Breno, que trabalha na entrega de lanches, conta que a rotina dele começa a partir das 18 horas. Durante o dia exerce outra atividade. “O trabalho como moto entregador é para aumentar minha renda. Tenho duas filhas”, disse.

Há uma década nas ruas da cidade, ele menciona que nos últimos meses viu a classe ganhar importância pelo crescimento e chegada de novos colegas de trabalho. “Houve um crescimento no número de pessoas que buscaram na entrega de motos o sustento da família por conta da pandemia. Porém, os riscos são muitos. A sensação é de medo pela pandemia, trânsito (acidentes) e roubos”, contou. “Ficamos bem mais expostos”, completou ao Diário Corumbaense.

Ele revela já ter sido vítima de tentativa de assalto, mas se salvou por agir rápido. “Fui fazer a entrega no bairro Cristo Redentor. Ao chegar, vi que o cliente não estava na frente, então, parei e toquei a companhia, como não saiu, peguei o celular para ligar, momento em que percebi que dois homens de moto passaram bem devagar. Desconfiado, arranquei a chave da ignição da minha moto e vi que o cliente abriu a porta, eu entrei rápido na casa dele e deixei a moto do lado de fora. Se eu ficasse ali, eles levariam tudo, certeza, até mesmo a moto”, afirmou relatando ainda que logo após o ocorrido outro entregador afirmou que havia sido perseguido pelos mesmos ladrões até um hotel que fica em direção a Ladário.

A mesma sorte não teve o colega de profissão, Everson Quiantareto Rosa, de 23 anos. Há cinco anos nas ruas fazendo entregas, ele ficou sob a mira de revólver durante entrega no bairro Previsul, há alguns meses.

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“Fui fazer a entrega e não achei a casa ou o cliente e segui para a rua mais abaixo. Fui ligar para confirmar o endereço e foi nesta hora que, do nada, fui rendido por dois homens, que já estavam esperando só para agir”, falou Everson ao frisar que era cedo, por volta das 20 horas.

Profissionais ficam mais vulneráveis a roubos quando não localizam o endereço correto

Ele mencionou que um dos bandidos já foi colocando o revólver na direção do pescoço dele, “e ordenando que entregasse o dinheiro e também o celular, que serve como instrumento de trabalho, essencial para nós que somos entregadores devido às rotas que ficam disponíveis. O elemento pegou meu telefone e o dinheiro. Não contente, acabou levando a máquina de cartão também”, lembrou Everson que trabalha como entregador em diferentes estabelecimentos. “Tive medo. Só não levaram a minha moto porque a fronteira com a Bolívia estava fechada”, acredita.

Também passando pela mesma sensação, em plena luz do dia, uma mulher, que preferiu não se identificar, e que trabalha como moto entregadora, contou a este Diário que na sexta-feira passada, dia 23 de abril, foi abordada em um semáforo, no bairro Popular Nova, durante uma entrega.

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“Parei a moto ali, na rua Rio Grande do Sul com a Marechal Deodoro, esperando o sinal abrir, estava com uma acompanhante e fomos abordadas por dois homens, que estavam em uma motocicleta de cor preta. Por sorte, eles não conseguiram levar nada, mas fica o medo e revolta, pois estamos trabalhando”, frisou a moto entregadora.

Geralmente, o moto entregador atua por diária, mas há aqueles que são efetivos de determinados estabelecimentos comerciais.

Clientes podem ajudar a evitar assaltos

Um dos pedidos para prevenir assaltos à moto entregadores, é, de acordo com a categoria profissional, que os clientes informem o endereço correto.  Conforme, Breno Cupertino, o principal problema é a numeração da casa. Outro pedido é que, se puderem, aguardarem na frente de casa.

“Fez o pedido, alguns minutos depois, que possam aguardar na frente das casas. Não somos assaltados na rua, a maioria das vezes, os roubos acontecem nesse intervalo de tempo, em que paramos na frente da casa da pessoa, descemos da moto e ela não está lá”, afirma Breno. “Por isso, pedimos que eles já esperem no local, seria uma grande ajuda, para evitar essas ações criminosas”, observou.

Clientes podem ajudar, aguardando entrega já no portão, com dinheiro ou cartão em mãos, dizem moto entregadores

Já Everson Quiantareto também frisou sobre o pagamento dos pedidos. “Quando chegarmos, que já estejam com o dinheiro ou cartão em mãos. Tem uns que saem e pedem para aguardar. Não é má vontade da gente, mas eles têm que entender que existem esses riscos e nesse intervalo de ir buscar dinheiro ou cartão ficamos vulneráveis e os ladrões agem”, ressaltou ao lembrar também daquelas pessoas que moram em prédios.

“Sabemos que alguns não gostam, mas como disse, não é má vontade de trabalhar, se esses moradores já puderem aguardar a gente na portaria ou embaixo, nos ajudaria e muito a evitar esses problemas de assalto, que colocam nossa vida em risco, pois além dos roubos, os criminosos estão atirando mesmo com os pertences sendo entregues”, pontuou.

Polícia Militar

O 6° Batalhão de Polícia Militar reforçou algumas orientações aos moto entregadores, principalmente aos que atuam nas entregas no período noturno. “Sempre redobrar a atenção. Suspeitar de certos locais os quais são chamados para realizar as entregas”, orientou o comandante da PM, tenente-coronel Elcio Almeida.

Ele ressaltou que ao chegar ao local, “o moto entregador passe pela área indicada à entrega e não pare logo de pronto. Deve observar se tem alguém em atitude suspeita, caso contrário, a entrega poderá ser feita”. A Polícia Militar reitera que qualquer movimento suspeito, deve ser acionada pelo 190.

 

Fonte DC.

Redação Gdsnews.

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