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Em coletiva na OMS, ministro da Saúde faz apelo para países com doses extras de vacina contra Covid-19 ajudarem Brasil

Na reunião, que contou com participação de Marcelo Queiroga, o diretor-geral da organização alerta que país não pode baixar a guarda, mesmo com dados recentes de queda de casos, mortes e hospitalizações

Em coletiva de imprensa virtual da Organização Mundial da Saúde (OMS), nesta sexta-feira, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga fez um apelo aos países que tenham doses extras de vacina contra a Covid-19 para dividi-las com o Brasil e assim “possamos avançar com nossa ampla campanha” e evitar a “proliferação de novas linhagens e variantes do vírus”.

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Fiocruz identifica anticorpos contra o coronavírus em cachorro e gato de rua Foto: Arquivo / AFP

Queiroga também afirmou que, ao assumir o Ministério da Saúde, se comprometeu com a aceleração da vacinação contra a Covid-19 e buscou orientar a população brasileira sobre medidas não farmacológicas.

— Eu me comprometi com a aceleração da vacinação e busquei orientar a população brasileira, de maneira clara e objetiva, sobre as medidas não farmacológicas cientificamente comprovadas: uso de máscara, lavagem das mãos e respeito ao distanciamento social. Busquei conciliar a adoção de medidas sanitárias com a necessidade de emprego e renda da população brasileira — afirmou.

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O uso de máscaras já foi alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido), que aparece sem o acessório em diversas ocasiões. Desde o início da pandemia, o presidente também já promoveu aglomerações e criticou medidas de distanciamento social.

Em seu discurso, Queiroga não mencionou as 400 mil mortes pela doença no Brasil, marca atingida nesta quinta-feira, e que foi tema da fala do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

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O ministro também tratou da vacinação da população indígena no país:

— Considerando a vulnerabilidade desses povos a doenças respiratórias, eles foram priorizados pelo governo federal na vacinação contra a Covid-19. Já foram distribuídas doses suficientes para todos os indígenas com mais de 18 anos em territórios indígenas.

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Ministro diz que população será imunizada até o fim do ano

Queiroga disse ainda que o Ministério está “na iminência de assinar” um contrato com a Pfizer para aquisição de mais 100 milhões de doses de vacina, e afirmou acreditar ser possível imunizar toda a população brasileira até o fim de 2021:

— Temos doses suficientes para o segundo semestre, e (assim) é possível garantir que até o fim de 2021 tenhamos a nossa população inteiramente vacinada.

O ex-ministro Eduardo Pazuello já havia prometido vacinar a população brasileira até o fim deste ano. Até quinta-feira, o Brasil conseguiu aplicar a primeira dose de vacina contra a Covid-19 apenas em 14,74% da população, e somente 7,15% receberam a segunda dose, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa.

O ministro disse ter orgulho em se referir a “duas centenárias instituições de saúde pública brasileiras”: a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan, que produziram em território nacional a “totalidade das vacinas usadas até hoje na imunização dos brasileiros contra a Covid-19”.

A CoronaVac, produzida pelo Butantan, já foi alvo de diversos ataques do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). O imunizante ficou no centro de uma disputa política entre Bolsonaro e governador de São Paulo, João Doria (PSDB), responsável pelo acordo que trouxe a vacina para o Brasil.

Queiroga também citou discussões sobre a quebra de patentes de vacinas na Organização Mundial do Comércio (OMC):

— Defendemos a imediata disponibilidade e o acesso a vacinas da Covid-19, de maneira justa e equitativa. Entendemos que a imunização deve ser considerada um bem público global.

‘Brasil não pode baixar a guarda’

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a atenção do mundo está neste momento voltada para a escalada da Covid-19 na Índia, mas que outros países também estão vivendo transmissão intensa, destacando o Brasil, “um dos mais afetados pela pandemia”.

— Desde novembro, o Brasil teve uma crise aguda, incluindo (aumento de) casos, hospitalizações e mortes entre jovens. Os casos agora diminuíram por quatro semanas seguidas, hospitalizações e mortes também. São boas notícias, esperamos que continuem. Mas a pandemia nos ensinou que nenhum país pode baixar a guarda.

O diretor da OMS afirmou ainda que o país se saiu bem nas áreas da detecção precoce da doença, telemonitoramento de casos e distribuição de vacinas, com priorização de profissionais da saúde, indígenas e idosos.

Na avaliação de Ghebreyesus, a pandemia ameaça os ganhos dos últimos 30 anos na saúde pública brasileira.

—  O Brasil tem uma longa e orgulhosa história da saúde pública, com três décadas de investimento no fortalecimento da saúde primária e progresso em relação à cobertura universal de saúde. Mas pandemia atingiu o sistema de saúde do Brasil em cheio, e arriscamos perder essas conquistas.

 

Fonte G1.

Redação Gdsnews.

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