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Pesquisadores da UFMS apresentam Relatório Técnico de Análise Geocartográfica da Covid-19 na Microrregião de Aquidauana

Pesquisadores que compõem a Rede Geográfica da Covid-19 em Mato Grosso do Sul acabam de divulgar Relatório Técnico de Análise Geocartográfica da Covid-19 na Microrregião de Aquidauana, referente às 28ª a 30ª semanas epidemiológicas.

Esse é um dos resultados de uma rede de pesquisa multidisciplinar formada por geógrafos pesquisadores da UFMS, Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), um epidemiologista da UFMS e uma comunicadora da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), além dos acadêmicos dessas instituições.

A Microrregião de Saúde de Aquidauana abarca também os municípios de Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Nioaque, Miranda e Bodoquena. De acordo com os pesquisadores, Aquidauana classifica-se como Centro de Zona A, exercendo importância regional na microrregião, sendo Aquidauana e Anastácio cidades conurbadas, com alto fluxo de pessoas.

No relatório, trabalhou-se metodologicamente com semanas epidemiológicas, no período de sete a 14 dias, de forma a comparar o aumento no número de casos e a mortalidade de pessoas entre as datas 11 de julho e 25 de julho de 2020.

Os pesquisadores afirmam no documento que os indicadores de morbidade pela Covid-19 são essenciais para direcionar a tomada de decisões ao investir os escassos recursos nas estratégias de enfrentamento à pandemia nos diversos contextos geográficos.

“No que se refere à velocidade do avanço da doença em 14 dias observou-se, a partir do índice, que indica os alertas de ações de contenção da doença, que o município de Aquidauana apresentava nível de alerta dois na semana passada e nesta semana se apresenta no nível de alerta quatro; o município de Dois Irmãos do Buriti que era semana passada nível de alerta um, nesta semana se apresenta no nível de alerta quatro. Em Nioaque também houve mudança no nível de alerta, passando de dois para três. Esses municípios requerem medidas restritivas permitindo apenas deslocamentos e atividades essenciais”, avalia a professora Eva Teixeira dos Santos, uma das pesquisadoras no Câmpus de Aquidauana.

Diante dessas alterações, os pesquisadores ressaltam a preocupação e urgência na adoção e implementação de medidas preventivas para os municípios com níveis de alerta dois que são Anastácio e Miranda e nível de alerta um que é o caso de Bodoquena, de forma a evitar a evolução rápida no número de casos e óbitos, como ocorrido com os dois classificados com alerta quatro.

“Em especial, o município de Anastácio, uma vez que nossa análise técnica considera os fortes níveis de interações espaciais entre as duas cidades conurbadas. São necessários cuidados para que não tenham seus indicadores aumentados e alcancem os níveis de alerta três, quatro e cinco que exigem medidas mais enérgicas e restritivas”, completa a professora Eva.

Os pesquisadores afirmam que há um descompasso entre os dados apresentados e as políticas públicas apresentadas pelos decretos emergenciais direcionados ao combate do novo Coronavírus, diante da opção pelo relaxamento social a partir do mês de abril.

Aquidauana registrou oito mortes até 25 de julho, sendo que a primeira ocorreu no dia 12 de julho. “Ou seja, houve um aumento de 100% em apenas duas semanas. Os gestores municipais precisam agir de forma conjunta, Aquidauana-Anastácio, especificamente, devido à proximidade”, diz a professora e pesquisadora do Cpaq Ana Paula Archanjo Batarce.

Para os pesquisadores, o aumento de número de óbitos em Aquidauana, como nos outros municípios nessas últimas semanas e a baixa capacidade de atendimento com leitos de UTI e respiradores no Hospital Regional de Aquidauana “Dr. Estácio Muniz”, fará com que o SUS entre em colapso, crescendo ainda mais o número de óbitos.

“Lembrando novamente que o hospital atende pacientes de outros municípios, considerando que Anastácio não tem leito de UTI e apenas um respirador, e os outros municípios dependem de Aquidauana.  É necessário diminuir o número de casos urgentemente”, diz a professora Eva.

LOCKDOWN – Até a data de hoje, Aquidauana somava 368 casos confirmados, com 27 pessoas internadas, sendo 16 indígenas.

“É preciso maior atenção aos cuidados e medidas de prevenção como as já iniciadas pela gestão municipal: reforçou nas equipes de saúde, desinfecção de prédios e locais de circulação de pessoas nas aldeias, atendimento, testagem e isolamento da população indígena, assim como de toda a população em geral que precisa fazer o isolamento social”, expõe a professora Ana Paula.

A partir das 22h de hoje (31/7) e até às 5h do dia 7/8, Aquidauana estará em lockdown, conforme decreto municipal recém-publicado.

“O ideal seriam 14 dias de lockdown. Mas esperamos que a gestão municipal exija o cumprimento, que oriente as pessoas, que fiscalize, que avalie, que acompanhe a ciência e a pesquisa, que seja responsável. Além disso, que implemente a boa prática de comunicação para salvar vidas e evitar que informações sem comprovação científica possam circular e proliferar entre as pessoas, tornando-se tão ou mais letal que o vírus”, afirma a professora Eva.

Os demais municípios da microrregião, alertam os pesquisadores, também precisam adotar medidas restritivas aos deslocamentos urbano-regionais essenciais e todas as medidas preventivas comprovadas cientificamente.

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