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No Dia do Jornalista, não há muito o que comemorar!

Há 190 anos Líbero Badaró era morto por inimigos da liberdade de imprensa

Quase dois séculos depois do martírio do médico e jornalista Giovanni Battista Líbero Badaró, a liberdade de expressão continua sendo assassinada diariamente no Brasil, sejam por discursos que agridem o profissional e a profissão, sejam pelas mortes de colegas que continuam sendo executados, como o caso do sul-mato-grossense Léo Veras, morto dentro de casa, por pistoleiros, em Ponta Porã, na fronteira do Brasil com o Paraguai, crime que, como tantos outros que o antecederam, continua impune.

O Dia do Jornalista, comemorado em 07 de abril, foi instituído em 1931, portanto há 90 anos, e, hoje, quando se celebra a data, vem à mente uma pergunta repetida ao longo de décadas: há o que o jornalista comemorar num país em que as autoridades atuam pela aprovação de legislação que torne o diploma um mero troféu a enfeitar a sala daqueles jovens sonhadores que frequentaram a academia por quatro anos?

Há o que se comemorar num país em que o presidente da República encabeça a lista de personalidades que se valem de todo tipo de artifício – incluindo os mais baixos possíveis e imagináveis – para desacreditar os mais respeitáveis órgãos de comunicação e os profissionais que neles atuam?

Há o que se comemorar num país em que qualquer cidadão semialfabetizado pode se dirigir a um organismo do governo e solicitar sua inscrição como “Jornalista Profissional”, adquirindo documentos que o colocam em condições de disputar mercado de trabalho com profissionais habilitados pelas faculdades de comunicação? E onde políticos preferem o analfabetismo, a subserviência e o capachismo dos analfabetos à competência independente dos profissionais diplomados?

Há o que se comemorar num país em que as mais ilustres autoridades vomitam agressões contra jornalistas diariamente, quando não se dirigem aos profissionais de imprensa acusando-os de serem responsáveis pelo caos instalado em nível nacional, quando na verdade os jornais e jornalistas apenas colocam em suas páginas a realidade do cotidiano brasileiro?

Infelizmente, neste dia 7 abril, quando se lembra o 90º aniversário da instituição do Dia do Jornalista, a classe não tem quase nada a comemorar.

Pelo contrário, o dia é de reivindicar, de levantar a voz e denunciar as atrocidades cometidas contra a profissão todos os dias nas mais diferentes regiões desse país de dimensões continentais.

Líbero Badaró, como era mais conhecido o médico e jornalista morto em 1830, era um oposicionista ao imperador D. Pedro I e foi o criador do Observatório Constitucional, jornal independente que focava em temas políticos até então censurados ou encobertos pelo monarca. Badaró era defensor da liberdade de imprensa e morreu em virtude de suas denúncias e de sua ideologia que contrariavam os homens do poder.

Na atual conjuntura nacional, todos os dias um Líbero Badaró tomba diante das ignomínias emanadas daqueles que estão no poder e se acham a própria essência do poder; daqueles que se esquecem da efemeridade dos cargos públicos e fazem pouco do papel preponderante que os meios de comunicação e os jornalistas tiveram na consolidação do processo democrático brasileiro, fato que permitiu que eles ascendessem aos postos que ora ocupam!

Neste 7 de abril, temos pouco a comemorar, mas, ainda assim, comemoramos a existência de jornalistas que não se curvam às ameaças; que não se calam diante das agressões físicas e verbais que se praticam contra a classe.

Hoje é dia de levantar brindes àqueles profissionais que ainda insistem em fazer chegar a notícia verdadeira a todos os brasileiros de todas as regiões do país, proporcionando à sociedade um contraponto em relação às mentiras e fake news disseminadas pelos grupos a serviço de establishment que sonha a perpetuação no poder.

Temos quase nada a comemorar, mas comemoramos a honra de ser Jornalistas alvo dos que vêm na liberdade de imprensa um sério risco às suas pretensões antidemocráticas.

Viva o Jornalismo Independente!

* Jota Menon é graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
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