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Fachin decide que delação de Sérgio Cabral não reduzirá penas já determinadas pela Justiça

Informação foi divulgada pelo Jornal O Globo. Colaboração do ex-governador só terá benefícios sobre eventuais novas condenações.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu que a delação do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral não vai valer para as ações em que ele já foi condenado – as penas somam quase 282 anos de prisão. A informação foi divulgada pelo Jornal O Globo.

De acordo com a decisão, os benefícios vão ser válidos apenas em eventuais novas condenações. Ele é réu em pelo menos 18 ações penais que ainda estão em curso.

Sérgio Cabral está preso preventivamente. Nenhuma das condenações teve trânsito em julgado, ou seja, não tiveram esgotados todos os recursos possíveis. Por isso, integrantes da Lava Jato ouvidos pela GloboNews, apontam que o maior risco desse acordo de delação é a defesa do ex-governador requerer a soltura dele.

O acordo de delação foi firmado com a Polícia Federal em dezembro e homologado pelo ministro Fachin em 5 de fevereiro. O teor da colaboração está sob sigilo. Menos de uma semana após a homologação, o procurador-geral da República, Augusto Aras, recorreu da decisão do ministro.

Antes mesmo da homologação, Aras foi contra a delação por considerar que os valores que Cabral se comprometeu a devolver já estavam bloqueados pela Justiça e que o ex-governador não apresentou fatos novos nos depoimentos.

Ao recorrer, a PGR considerou que Cabral não é confiável e que ainda estaria lavando dinheiro e escondendo recursos ilícitos. O ministro Fachin, no entanto, argumentou que o acordo cumpre os requisitos legais e trata de fatos novos.

O ex-governador está preso desde novembro de 2016. Ele é réu em 31 processos na Justiça, a maioria relacionada à Operação Lava Jato, e já foi condenado em 13 deles. Veja o histórico das condenações:

  • Junho de 2017 – condenado a 14 anos e 2 meses de reclusão por corrupção e lavagem de dinheiro
  • Setembro de 2017 – condenado a 45 anos e 2 meses de reclusão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa
  • Outubro de 2017 – condenado a 13 anos de prisão por lavagem de dinheiro
  • Dezembro de 2017 – condenado a 15 anos de reclusão por lavagem de dinheiro
  • Março de 2018 – condenado a 13 anos e 4 meses de prisão por lavagem de dinheiro
  • Julho de 2018 – condenado a 22 anos e 8 meses – corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
  • Setembro de 2018 – condenado a 12 anos e 10 meses de prisão por crimes de fraudes a licitações
  • Setembro de 2018 – condenado a 47 anos e quatro meses de prisão por crimes de corrupção, formação de quadrilha e pertinência à organização criminosa
  • Dezembro de 2018 – condenado a mais 14 anos e cinco meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
  • Julho de 2019 – condenado a 18 anos de prisão por corrupção passiva
  • Agosto de 2019 – condenado a 18 anos de prisão, por crimes de lavagem de dinheiro.
  • Outubro de 2019 – condenado a mais 33 anos, 3 meses e 13 dias de prisão por corrupção passiva
  • Janeiro de 2020 – condenado a mais 10 meses e 13 dias de prisão por corrupção

Cabral vem admitindo, desde o ano passado, que recebeu propina enquanto ocupava cargo público. Ele também apontou outros supostos membros da organização criminosa.

Fonte: G1

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